Em apoio à Argentina, Dilma critica 'ação de poucos especuladores'

A HORA ITABUNA | 12:57 | 0 comentários


A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta terça-feira (29), em discurso na cúpula do Mercosul em Caracas, na Venezuela, o estabelecimento de "regras claras" para reestruturação de dívidas soberanas dos países. Em apoio à Argentina, que está na véspera do prazo para o pagamento de dívidas com credores internacionais, Dilma criticou o que chamou de “ação de poucos especuladores". “O problema que atinge a Argentina é ameaça não apenas para o país irmão, mas atinge todo o sistema financeiro internacional. Não podemos deixar que a ação de poucos especuladores coloque em risco a estabildade e o bem-estar de países inteiros”, disse. A presidente brasileira defendeu "foros imparciais" para julgamento de ações sobre a restruturação de dívidas de nações. “Precisamos de regras claras que permita foros imparciais, permita previsibilidade e, portanto, justiça no processo de restruturação de dívidas soberanas." Segundo a presidente, o tema será levado para discussão na próxima reunião do G-20, que ocorre em novembro na Austrália. "Tratamos igualmente do tema na reunião em Brasília entre líderes do Brics [grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e líderes do Mercosul. Me propus, juntamente com a presidente Crstina, a levá-lo para a próxima reunião do G-20, na Austrália", frisou. A Argentina está à beira de um novo calote em relação a dívidas com credores internacionais devido a uma série de decisões de tribunais dos Estados Unidos que forçaram o país a negociar com investidores que não aceitaram participar das restruturações da dívida após a crise do início da década passada. Após se recusar a saldar a dívida pública de US$ 100 bilhões, em 2001, o governo argentino negociou o pagamento com desconto e dividido em parcelas. Uma parte dos credores concordou, mas um grupo de fundos, a maioria nos EUA, exige receber de forma integral. O governo da presidente Cristina Kirchner tem até esta quarta-feira (30) para alcançar um acordo com os chamados holdouts - credores que não aceitaram os termos das negociações da dívida argentina -, em uma disputa que levou a terceira maior economia da América Latina à beira do segundo calote em 12 anos.

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